Gestão Tática

Motoboy próprio ou de app: a conta que decide

Por LH · 01 de julho de 2026 · ⏱ 3 min de leitura

“LH, motoboy próprio ou entrega pelo app?” Essa é, fácil, uma das perguntas que mais chegam no meu direct. E a resposta honesta é: depende de uma conta que quase ninguém faz.

Não existe modelo certo. Existe modelo certo pro seu volume de entregas. E a boa notícia é que a conta cabe num guardanapo.

A única métrica que importa: custo por entrega

Esquece “quanto custa o motoboy por mês”. A pergunta certa é: quanto custa cada entrega que sai da sua cozinha?

Pro motoboy fixo, a fórmula é:

Custo por entrega = custo total do motoboy no mês ÷ número de entregas no mês

Exemplo com número na mesa (motoboy fixo, diária de R$ 130, 26 dias no mês):

Item Valor
Diárias (26 × R$ 130) R$ 3.380
Ajuda de combustível R$ 520
Custo total no mês R$ 3.900

Agora o mesmo motoboy em três cenários de volume:

Entregas/mês Custo por entrega
300 (≈ 11/dia) R$ 13,00
500 (≈ 19/dia) R$ 7,80
800 (≈ 30/dia) R$ 4,88

Tá vendo o jogo? O motoboy fixo fica barato quando o volume é alto. Com 300 entregas no mês, cada corrida custa R$ 13, provavelmente mais caro que a entrega do próprio app. Com 800, custa R$ 4,88 e vira uma vantagem competitiva.

💡 Faça a sua conta em 2 minutos: a calculadora de motoboy da Central LH monta o custo por entrega e a tabela por km com os seus números. Abrir a calculadora de motoboy →

O teto dos 15%: até onde a entrega grátis cabe

Outra conta que uso todo dia: o custo de entrega não pode passar de 15% do ticket médio. Acima disso, a corrida come a margem do pedido.

  • Ticket médio de R$ 45 → entrega pode custar até R$ 6,75
  • Ticket médio de R$ 70 → entrega pode custar até R$ 10,50

É por isso que “entrega grátis” sem conta feita quebra tanta operação: o dono paga R$ 9 de corrida num pedido de R$ 35 (26% do ticket!) e ainda acha que tá fazendo marketing. Tá fazendo caridade pro app, isso sim.

Entrega grátis sem conta feita é margem indo embora na garupa.

Então, qual modelo escolher?

Com a conta na mesa, a decisão vira regra simples:

  1. Pouco volume (até ~15 entregas/dia): entrega do app ou freelancer por corrida. Motoboy fixo parado é diária jogada fora.
  2. Volume médio (de 15 a 25 por dia): híbrido. Um fixo no horário de pico (sexta a domingo à noite) e app no resto. É o que a maioria das operações médias deveria fazer e não faz.
  3. Volume alto (25+/dia): fixo (ou equipe própria) quase sempre ganha. E o raio de entrega vira decisão estratégica: a tabela por km precisa existir.

E revisita a conta a cada 3 meses. Volume muda, diária muda, taxa de app muda. A decisão de janeiro pode estar errada em julho.

O caminho é sempre o mesmo: número na mesa primeiro, decisão depois.

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