Motoboy próprio ou de app: a conta que decide
“LH, motoboy próprio ou entrega pelo app?” Essa é, fácil, uma das perguntas que mais chegam no meu direct. E a resposta honesta é: depende de uma conta que quase ninguém faz.
Não existe modelo certo. Existe modelo certo pro seu volume de entregas. E a boa notícia é que a conta cabe num guardanapo.
A única métrica que importa: custo por entrega
Esquece “quanto custa o motoboy por mês”. A pergunta certa é: quanto custa cada entrega que sai da sua cozinha?
Pro motoboy fixo, a fórmula é:
Custo por entrega = custo total do motoboy no mês ÷ número de entregas no mês
Exemplo com número na mesa (motoboy fixo, diária de R$ 130, 26 dias no mês):
| Item | Valor |
|---|---|
| Diárias (26 × R$ 130) | R$ 3.380 |
| Ajuda de combustível | R$ 520 |
| Custo total no mês | R$ 3.900 |
Agora o mesmo motoboy em três cenários de volume:
| Entregas/mês | Custo por entrega |
|---|---|
| 300 (≈ 11/dia) | R$ 13,00 |
| 500 (≈ 19/dia) | R$ 7,80 |
| 800 (≈ 30/dia) | R$ 4,88 |
Tá vendo o jogo? O motoboy fixo fica barato quando o volume é alto. Com 300 entregas no mês, cada corrida custa R$ 13, provavelmente mais caro que a entrega do próprio app. Com 800, custa R$ 4,88 e vira uma vantagem competitiva.
O teto dos 15%: até onde a entrega grátis cabe
Outra conta que uso todo dia: o custo de entrega não pode passar de 15% do ticket médio. Acima disso, a corrida come a margem do pedido.
- Ticket médio de R$ 45 → entrega pode custar até R$ 6,75
- Ticket médio de R$ 70 → entrega pode custar até R$ 10,50
É por isso que “entrega grátis” sem conta feita quebra tanta operação: o dono paga R$ 9 de corrida num pedido de R$ 35 (26% do ticket!) e ainda acha que tá fazendo marketing. Tá fazendo caridade pro app, isso sim.
Entrega grátis sem conta feita é margem indo embora na garupa.
Então, qual modelo escolher?
Com a conta na mesa, a decisão vira regra simples:
- Pouco volume (até ~15 entregas/dia): entrega do app ou freelancer por corrida. Motoboy fixo parado é diária jogada fora.
- Volume médio (de 15 a 25 por dia): híbrido. Um fixo no horário de pico (sexta a domingo à noite) e app no resto. É o que a maioria das operações médias deveria fazer e não faz.
- Volume alto (25+/dia): fixo (ou equipe própria) quase sempre ganha. E o raio de entrega vira decisão estratégica: a tabela por km precisa existir.
E revisita a conta a cada 3 meses. Volume muda, diária muda, taxa de app muda. A decisão de janeiro pode estar errada em julho.
O caminho é sempre o mesmo: número na mesa primeiro, decisão depois.
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