CMV de 40% não é normal: é vazamento
Você vende bem e não sobra? Senta aqui. Tem uma boa chance de o vazamento estar num número que muito dono de delivery nunca calculou direito: o CMV.
CMV é o Custo da Mercadoria Vendida: quanto do seu faturamento foi embora em insumo. E aqui vai o papo reto: num delivery saudável, esse número costuma ficar entre 28% e 33%. Quando ele bate 40%, não é “característica do meu segmento”. É dinheiro escorrendo pelo ralo todo santo dia.
O erro clássico: confundir CMV teórico com CMV real
O CMV teórico é o da ficha técnica: soma o custo dos ingredientes de cada prato vendido. Bonito no papel.
O CMV real é outro bicho. Ele inclui tudo que a ficha técnica não vê:
- O queijo que venceu na geladeira
- A porção de fritas que saiu maior porque ninguém pesou
- O hambúrguer refeito porque saiu errado
- O insumo que “sumiu” e ninguém sabe explicar
A diferença entre os dois é exatamente o tamanho do seu vazamento. Se o teórico dá 30% e o real dá 38%, você tem 8 pontos de faturamento evaporando em silêncio.
A conta que você vai fazer hoje
Pega papel e calculadora (ou o app, que faz sozinho). A fórmula do CMV real é uma só:
CMV real = (estoque inicial + compras do mês − estoque final) ÷ faturamento
Exemplo com número na mesa:
| Item | Valor |
|---|---|
| Estoque no dia 1º | R$ 4.000 |
| Compras do mês | R$ 11.000 |
| Estoque no dia 30 | R$ 3.500 |
| Insumo consumido | R$ 11.500 |
| Faturamento do mês | R$ 30.000 |
| CMV real | 38,3% |
Nesse exemplo, se o CMV saudável do negócio fosse 31%, o dono está perdendo R$ 2.190 por mês (7,3 pontos × R$ 30.000). Isso dá mais de R$ 26 mil no ano, o suficiente pra reformar a cozinha inteira.
De onde vem o vazamento (na ordem mais comum)
Na minha cozinha, com 15 marcas rodando, aprendi que o vazamento quase sempre vem desta lista, nesta ordem:
- Porção sem padrão. Cada cozinheiro monta um prato diferente. Sem balança e ficha técnica na parede, a porção “no olho” sempre cresce, nunca diminui.
- Compra sem cotação. Comprar do mesmo fornecedor por preguiça custa caro. Três cotações por semana mudam o CMV em 1 ou 2 pontos.
- Desperdício invisível. Aparas, sobras, produto vencido. Se ninguém anota, não existe. Só que existe.
- Preço desatualizado. O queijo subiu 18% e o seu X-Burguer continua custando o mesmo pro cliente. O aumento saiu do seu bolso.
Faturamento é vaidade, margem é sanidade.
Por onde começar (sem virar o mês de cabeça pra baixo)
Não tenta consertar tudo de uma vez. O caminho que funciona:
- Hoje: faça a conta do CMV real do mês passado com a fórmula acima. Sem número, o resto é achismo.
- Essa semana: monte a ficha técnica do seu carro-chefe, só dele. É o produto que mais sai, então é onde o vazamento mais dói.
- Esse mês: implante contagem de estoque toda segunda-feira. Meia hora por semana que paga o salário de muita gente.
Quando o CMV real e o teórico ficarem a menos de 2 pontos de distância um do outro, você fechou o ralo. Aí sim dá pra falar de crescer.
Continua o papo de balcão
Como eu rodo 15 marcas numa cozinha só (sem virar bagunça)
O segredo da dark kitchen multimarca não é equipe gigante, é cardápio cruzado. A conta do insumo compartilhado que sustenta a minha operação.
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