CMV e Precificação

CMV de 40% não é normal: é vazamento

Por LH · 24 de junho de 2026 · ⏱ 3 min de leitura

Você vende bem e não sobra? Senta aqui. Tem uma boa chance de o vazamento estar num número que muito dono de delivery nunca calculou direito: o CMV.

CMV é o Custo da Mercadoria Vendida: quanto do seu faturamento foi embora em insumo. E aqui vai o papo reto: num delivery saudável, esse número costuma ficar entre 28% e 33%. Quando ele bate 40%, não é “característica do meu segmento”. É dinheiro escorrendo pelo ralo todo santo dia.

O erro clássico: confundir CMV teórico com CMV real

O CMV teórico é o da ficha técnica: soma o custo dos ingredientes de cada prato vendido. Bonito no papel.

O CMV real é outro bicho. Ele inclui tudo que a ficha técnica não vê:

  • O queijo que venceu na geladeira
  • A porção de fritas que saiu maior porque ninguém pesou
  • O hambúrguer refeito porque saiu errado
  • O insumo que “sumiu” e ninguém sabe explicar

A diferença entre os dois é exatamente o tamanho do seu vazamento. Se o teórico dá 30% e o real dá 38%, você tem 8 pontos de faturamento evaporando em silêncio.

A conta que você vai fazer hoje

Pega papel e calculadora (ou o app, que faz sozinho). A fórmula do CMV real é uma só:

CMV real = (estoque inicial + compras do mês − estoque final) ÷ faturamento

Exemplo com número na mesa:

Item Valor
Estoque no dia 1º R$ 4.000
Compras do mês R$ 11.000
Estoque no dia 30 R$ 3.500
Insumo consumido R$ 11.500
Faturamento do mês R$ 30.000
CMV real 38,3%

Nesse exemplo, se o CMV saudável do negócio fosse 31%, o dono está perdendo R$ 2.190 por mês (7,3 pontos × R$ 30.000). Isso dá mais de R$ 26 mil no ano, o suficiente pra reformar a cozinha inteira.

💡 Faça essa conta em 2 minutos: a Central LH calcula seu CMV real sozinha a partir do estoque e das compras. Abrir a calculadora de CMV →

De onde vem o vazamento (na ordem mais comum)

Na minha cozinha, com 15 marcas rodando, aprendi que o vazamento quase sempre vem desta lista, nesta ordem:

  1. Porção sem padrão. Cada cozinheiro monta um prato diferente. Sem balança e ficha técnica na parede, a porção “no olho” sempre cresce, nunca diminui.
  2. Compra sem cotação. Comprar do mesmo fornecedor por preguiça custa caro. Três cotações por semana mudam o CMV em 1 ou 2 pontos.
  3. Desperdício invisível. Aparas, sobras, produto vencido. Se ninguém anota, não existe. Só que existe.
  4. Preço desatualizado. O queijo subiu 18% e o seu X-Burguer continua custando o mesmo pro cliente. O aumento saiu do seu bolso.

Faturamento é vaidade, margem é sanidade.

Por onde começar (sem virar o mês de cabeça pra baixo)

Não tenta consertar tudo de uma vez. O caminho que funciona:

  1. Hoje: faça a conta do CMV real do mês passado com a fórmula acima. Sem número, o resto é achismo.
  2. Essa semana: monte a ficha técnica do seu carro-chefe, só dele. É o produto que mais sai, então é onde o vazamento mais dói.
  3. Esse mês: implante contagem de estoque toda segunda-feira. Meia hora por semana que paga o salário de muita gente.

Quando o CMV real e o teórico ficarem a menos de 2 pontos de distância um do outro, você fechou o ralo. Aí sim dá pra falar de crescer.

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